Maio 07, 2006

O Povo da Ilha








É uma obrigação minha fazer, neste blog, uma merecida homenagem ao espectacular povo desta Ilha.
Para se falar do povo da Ilha do Sal é óbrigatório falar na Morabeza ou seja, na arte de bem receber. Meus senhores, se existe palavra para descrever este povo, esta é a mais justa e a que melhor define esta gente. Humildade, simpatia contagiante, sorriso nos lábios, disponibilidade total para ajudar os visitantes e alegria de viver são os melhores adjectivos para qualificar este povo.
E que grande lição de vida estes senhores nos dão!!!!
Num mundo em que, a riqueza, o poder e a ambição são as principais preocupações do Homem e uma das causas do início da destruição da humanidade, ainda existe gente que, sem ser rica, sem ter as oportunidades de emprego que a maioria das pessoas têm, sem viver nas melhores condições e sem ter grandes prespectivas de melhorar a sua qualidade de vida, consegue demonstrar que a felicidade é muito fácil de se alcançar.
A todos aqueles que comigo se cruzaram e que me cumprimentaram, a todos aqueles a quem eu recorri a pedir informações, a todos aqueles que tão bem me serviram, a todos aqueles que me venderam e tentaram vender artesanato, a todos aqueles que me fizeram companhia no pontão, a todos aqueles que se prontificaram a tirar-me fotografias e que não se importaram de ser fotografados e a todas as crianças que me retribuiram com um grande sorriso um simples afago na cabeça, só me resta agradecer e dizer que ficaram no meu coração. Sinto-me na obrigação de vos voltar a ver.
Bem Hajam.

Abril 14, 2006

Ilha do Sal - Artesanato



A venda de artesanato constitui um dos modos de vida dos habitantes da Ilha do Sal. Não há práticamente rua nenhuma em que não se encontre um vendedor ou que não exista uma loja ou um "armazém" de venda de artesanato.
O facto de haver muitos objectos feitos em madeira à venda, quando na ilha do sal existem tão poucas árvores, levou-me a perguntar a um vendedor qual era a origem do artesanato, tendo-me ele respondido que a madeira era proveniente de outras ilhas de Cabo Verde. Existem três grupos distintos de vendedores (Caboverdeanos, Senegaleses e Guineenses) mas a coabitação entre eles nem sempre é a melhor. Exemplo disso é o facto de ter sido abordado por um natural da ilha que me pediu para que não comprasse nada aos vendedores que não falassem Português, pois esses estavam a retirar-lhes uma grande parte do negócio.
Os vendedores fazem um grande assédio aos turistas e o método que utilizam para uma primeira abordagem aos potenciais compradores passa pela oferta de um colar, normalmente de pouco valor, mas que os "compromete" a, pelo menos, visitarem as suas lojas ou as suas "fábricas" que são uns "armazéns" com bancadas de vários vendedores. Aí chegados começa uma demonstração de várias peças, cujos preços iniciais são bastante altos mas que, ao serem negociados, acabam normalmente por ser adquiridos por valores aceitáveis. Mesmo que não se compre nada, a despedida é sempre feita com um sorriso nos lábios e a simples oferta de um cigarrito faz com que se arranje um novo amigo que nos cumprimentará sempre que voltemos a passar por ele.

Janeiro 22, 2006

Ilha do Sal - Calheta Funda

Imaginem que, ao fazerem uma viagem por marte vão encontrar uma esplenderoso areal de areias brancas banhado por um mar de águas quentes e esverdeadas!.
É precisamente o que acontece na Calheta Funda. Para chegarmos a esta baía temos que entrar por uns caminhos de terra batida que se encontram junto á rotunda localizada a seguir à Murdeira e no sentido Espargos - Sta Maria. A entrada para esses caminhos está sinalizada com uma placa identificativa com o nome da baía mas o trajecto tem que ser seguido um bocado à sorte pois existem nessa zona vários trilhos com destinos variados. Esta procura do caminho certo proporciona um ligeiro espírito de aventura a quem tente encontrar este local. Quando avistarem umas tendas, ao melhor estilo miltar, junto ao mar, dirijam-se para lá porque vão ter à Calheta Funda. Estas tendas servem de habitação a alguns pescadores que aí permanecem para realizarem a actividade que lhes dá o sustento.
Nas águas desta baía deve existir muito peixe pois também são procuradas e utilizadas por muitos pescadores desportivos que, algumas vezes, têm a sorte de pescar pequenos tubarões que são depois abandonados nos areais da mesma. Uma das melhores recordações que se podem trazer desta zona são as dentaduras desses tubarões que se encontram espalhadas pelo areal.






Novembro 18, 2005

Ilha do Sal - Buracona

Ao sairmos da Regona e se formos sempre pelos caminhos encostados à orla marítima, ou se viermos de Espargos e seguirmos por um caminho junto ao início do bairro de Pretória, temos forçosamente que encontar uma roulote - bar que é propriedade de um Português que decidiu ganhar a sua vida a vender bebidas frescas (e que falta fazem) e sandes aos turistas que querem conhecer a Buracona. Essa roulote e um grupo de Senegaleses a vender artesanato são o melhor ponto de referência para encontrarmos este buraco natural nas rochas que se encontram junto ao mar. Através deste buraco, conseguimos ver o mar e os reflexos em tons azulados que o sol proporciona ao incidir nas águas do mesmo. Este efeito natural e a piscina natural que se forma com a entrada das águas, através duma cratera idêntica à da Regona, são a principal atracção da Buracona. Nos dias que visitei esta zona as marés eram baixas e a piscina encontrava-se sem água, como podem verificar numa das fotos que vos apresento.





Novembro 16, 2005

Ilha do Sal - Paisagem

Em post's anteriores já "falei" das estradas e dos caminhos da ilha. Este vai servir para mostrar a paisagem reinante no interior da mesma.
Contráriamente à maioria dos países africanos em que existem autênticas florestas e uma paisagem verdejante, na Ilha do Sal a paisagem interior é completamente desértica. Não existe praticamente nenhuma vegetação e as poucas árvores que existem são muito pequenas e as suas copas encontram-se todas inclinadas para o lado da corrente predominante dos ventos. A vida selvagem é práticamente nula e os poucos animais que se encontram resumem-se a uns cavalos e burros selvagens bastante desnutridos.
Para melhor compreenderem os motivos que fazem com que a paisagem seja como a descrevi, tenho que salientar que o clima desta ilha é bastante seco, muito quente e raramente chove. Os grandes montes de terra que podem ver nas fotos são originados pelos ventos fortes que assolam constantemente estas paragens.







Outubro 12, 2005

Ilha do Sal - Regona

Bem, depois de Sta Maria e das visitas à Murdeira, Pedra de Lume, Espargos e Palmeira, acabaram-se as estradas alcatroadas e vamos agora entrar na "terra batida". Daqui para a frente só mesmo de Jeep, moto-quatro ou carrinhas como as que são utilizadas pelos excursionista, como já tinha dito no post "Visitar a Ilha". Nas imagens dos próximos post´s vou também deixar algumas fotos tiradas nos vários caminhos para que possam ver a maioria das paisagens da Ilha..
O post de hoje é relacionado com a Regona que fica situada mais ou menos a quatro km de Palmeira e no caminho da Buracona, para quem queira utilizar este precurso. A Regona não é mais do que uma entrada do mar por uma cratera natural das rochas que se encontram na orla marítima. Além duma vista espectacular e da cor da água esta cratera nas rochas oferece também a possibilidade de podermos mandar uns bons mergulhos. Este ultimo ponto foi o motivo que me levou a visitar este lugar duas vezes e mesmo assim acho que ainda foram poucas. Para quem não goste ou não saiba mergulhar há sempre a hipótese de poderem refrescar-se ou molhar os pés na parte mais junto ao mar.

Caminho da Regona





Outubro 10, 2005

Ilha do Sal - Palmeira

Em termos de grandeza, Palmeira é considerada a terceira vila da Ilha do Sal. O mesmo não se pode dizer em termos de importância uma vez que é através do seu porto que entram a maioria dos produtos necessários à sobrevivência dos seus habitantes. É aqui que são descarregados os barcos pesqueiros e também os que trazem a maioria dos bens alimentares, dos combustíveis e de outras matérias-primas que são consumidas na Ilha.
Junto ao porto marítimo forma-se uma baía que além de servir de porto de abrigo aos iates dos senhores mais endinheirados da ilha, serve também, apesar da areia ser um pouco suja, de praia para se poder mandar uns mergulhos.


Outubro 07, 2005

Ilha do Sal - Espargos

Depois de Pedra de Lume chegou a vez de "falar"de Espargos. Espargos á a capital da Ilha do Sal e fica situada no interior da mesma. Apesar de não ter praia, tem muito mais habitantes do que Sta Maria e a sua proximidade ao aeroporto internacional e à vila de Palmeira torna-a muito mais movimentada. Tal como em Sta. Maria, nesta vila também se encontram grandes diferenças na qualidade das habitações, sendo as da zona central muito melhores do que as dos bairros periféricos. É aqui que se concentram praticamente todos os serviços e comércio da ilha e em termos de turismo não é mais do que um ponto de passagem obrigatório para quem quer conhecer, Palmeira, Regona, Buracona, Baía de Fontona, e a Baía Algodoeiro.
Rua principal

Entrada e saída para Sta. Maria

Centro da Vila

Entrada e saída para Palmeira

Outubro 05, 2005

Ilha do Sal - Salinas de Pedra de Lume 2

Continuação do post anterior - Circuito interno do sal







Outubro 04, 2005

Ilha do Sal - Salinas de Pedra de Lume 1









A maior parte do sal produzido na ilha sai desta fábrica situada em Pedra de Lume. Como vão ver nas imagens, a extensão das salinas é bastante grande e têm um género de piscinas ou lagos, depende do que lhe queiram chamar, aonde é quase obrigatório os turistas banharem-se. Devido à quantidade de sal que existe na água, os corpos ficam sempre a boiar impedindo desta forma que as pessoas vão ao fundo. No entanto aconselho que depois dos mergulhos se passem por água doce nos chuveiros existentes para o efeito.
Para os mais curiosos e que tenham interesse em saber como é que o sal é tratado, aconselho-os a meter conversa com o trabalhador mais velho das salinas pois ele está sempre pronto a prestar todos os esclarecimentos. Já agora, depois de saciada a curiosidade, podem-lhe dar um euro ou dois que, garanto-vos, ele agradece.

Outubro 03, 2005

Ilha do Sal - Pedra de Lume




É nesta localidade da Ilha do Sal que ficam as famosas salinas de Pedra de Lume. É uma localidade pequena que tem, devido à sua praia, uma vista espectacular e normalmente é aqui que os excursionistas fazem a paragem para o almoço. Como também já referi noutro post, o acesso a esta localidade é óptimo e é feito numa estrada acaltroada.
Quem visite esta localidade tem também a oportunidade de observar e visitar uma igreja construida pelos portugueses em 1855.

Setembro 30, 2005

Ilha do Sal - Murdeira

A Murdeira é um complexo turístico que fica situado junto à estrada que liga Sta Maria a Espargos. Fica a cerca de sete ou oito km de Sta Maria, é um complexo com acesso restrito e é banhado pelo oceano. Tem uma óptima praia mas o facto da mesma ter muitas pedras faz com que não tenha qualquer comparação com as praias de Sta Maria. O complexo é constituido por apartamentos e é óptimo para férias familiares.
Como se encontra um bocado isolada das vilas da Ilha o contacto com os habitantes da mesma é quase nulo o que em certa medida retira um pouco do espírito turísco.




Ilha do Sal - Visitar a Ilha

Depois de ter "falado" e mostrado imagens de Sta Maria, chegou a altura de dar uma volta pela Ilha.
Para o fazer, os visitantes têm à disposição, em várias agências de viagens e mesmo nos hotéis, vários programas com excursões à ilha. Os programas são todos muito idênticos e passam todos pelos locais considerados de visista obrigatória. Buracona, Regona, Fontona, Salinas de Pedra de Lume e Calheta Funda são alguns desses locais e merecem realmente ser visitados.
Quem não queira ou não goste de excursões tem como opcção o aluguer de automóveis, normalmente são Jeep's, e no caso de serem apenas duas pessoas podem também optar pelo aluguer de Moto-Quatro.
Neste post deixo-vos imagens de três alternativas para poder visitar a Ilha. As duas primeiras imagens são de dois veículos utilizados pelas agências e pelos hotéis e a 3ª é de um Jeep de aluguer. A minha opcção recaiu sobre este último e ao longo dos próximos post's vão perceber o porquê da escolha.


Setembro 27, 2005

Sta Maria - Funana (Restaurante Típico)

Simplesmente o melhor Restaurante da Ilha do Sal. Situado na praia próxima do hotel "Morabeza" este restaurante típico, além de muito bem decorado oferece também uma grande variedade de sugestões que vão desde os pratos mais económicos até ao mais sofisticados e mais caros. Aconselho, a quem tenha oportunidade de o visitar, o rodizio composto por três variedades de peixe e três de carne pois o mesmo revela a qualidade existente nesta casa e com a vantagem de não ser caro. O atendimento é espectacular e a banda que diáriamente acompanha os jantares é uma pequena maravilha. Este é daqueles casos em que é mesmo preciso ver para acreditar.








Setembro 26, 2005

Sta Maria - Crêtcheu e Casa Amarela


Se gosta de Pizza ou outras comidas Italianas aconselho vivamente o restaurante "Crêtcheu" e o restaurante "A Casa Amarela". O "Crêtcheu" fica situado à direita do acesso ao pontão de Sta Maria e serve, só aos jantares, umas belas Pizzas (único prato que comi) feitas em forno a lenha. Aos almoços e também aos jantares oferece a quem o visita uma ementa variada da qual não posso fazer referência por não ter provado nenhum dos seus pratos. Tem uma varanda esplanada sobre a Praia e é um óptimo lugar para um jantar romântico.
A "Casa Amarela" é um restaurante Italiano aonde as pastas, as massas e as Pizzas são o forte da sua ementa. Tem um serviço agradável e os seus colaboradores revelam uma simpatia fora do comum. Fica localizada no largo principal de Sta Maria e perto do Café Cultural e da Esplanada Mateus.

Setembro 22, 2005

Sta Maria - Restaurante O Piscador




Este restaurante fica situado numa travessa de Sta Maria ficando por isso um bocado escondido. A sua decoração inspirada em motivos marítimos e os seus empregados fardados de marinheiro dão a este espaço um cenário engraçado.
A ementa deste restaurante é bastante variada e nela predominam os pratos de peixe. Os pratos são muito bem confeccionados, bastante saborosos e a cozinha, que pode ser vista por quem se dirija ao WC, apresenta um nível de higiene altíssimo e que salta imediatamente à vista de qualquer pessoa.
Na minha opinião, o único e maior senão desta casa, tem a ver com o facto dos preços que são apresentados na ementa exposta no exterior não corresponderem ao que realmente o cliente paga no final da refeição. E isto porquê? Isto porque o dono resolveu não incluir o IVA nos preços expostos na ementa exterior, debitando-o depois na factura final do pagamento da refeição e além disso, as guarnições dos pratos são pagas à parte. Nas ementas interiores vem realmente o aviso de que os preços são sem IVA e de que as guarnições são pagas à parte, mas como o cliente entra no restaurante depois de ver os preços expostos no exterior, sente-se enganado.
Aconselho sériamente a fazerem bem as contas ao que poderão pagar se decidirem vir aqui comer, e em tom de brincadeira digo-vos que o dono deste restaurante deve ter feito escola em Portugal, mas não posso confirmar porque não tive hipóteses de lhe perguntar!!!

Setembro 21, 2005

Sta Maria - Cultural Café

Também fica situado no largo principal de Sta Maria, em frente ao Restaurante Esplanada Mateus, e tal como este, dispõe de uma bela esplanada para se jantar e passar um bocado da noite. É um restaurante típico, bem decorado e com um serviço bastante bom. A sua ementa, além dos pratos de peixe e carne normais apresenta também uma variedade de pratos tipícos da ilha de Cabo Verde, fazendo estes as delícias dos apreciadores, que não é o meu caso. Em termos de sobremesas, foi o restaurante que frequentei que maior variedade apresentou, sendo todas elas muito boas. Neste restaurante pode-se beber e adquirir algumas bebidas tradicionais da ilha tais como o ponche e o grogue, mas para mal dos meus pecados não tem cerveja SAGRES, tendo esta sido trocada pela "madeirense" CORAL. Este foi o principal motivo que me levou a lá ir menos vezes.





Setembro 20, 2005

Sta. Maria - Esplanada Mateus

A Esplanada Mateus é um dos restaurantes mais conhecidos de Sta. Maria e o seu nome é o mesmo do proprietário, que é um natural de Cabo Verde que já viveu em Portugal. Este restaurante fica situado no largo principal da vila e além de excelentes refeições oferece também diariamente, excepto às quartas feiras, musica ao vivo com a banda Mateus. Mornas, Coladeras e Funáná são os tipos de musica que a banda toca e algumas vezes temos também a oportunidade de ver o Sr. Mateus a actuar.
O serviço deste restaurante é bom, a sua cozinha é muito parecida com a portuguesa e os seus preços não são os mais caros da vila. Os peixes, os mariscos, a cachupa, a feijoada à portuguesa e o arroz de polvo são os pratos que eu recomendo a quem se proponha a visitar esta casa. O facto de ser uma esplanada e de estar no largo principal, faz deste restaurante o sítio ideal para se jantar e para se descansar um pouco dos dias de praia.
Segundo me foi dito pelo Sr. Mateus, o restaurante vai passar a ter marisco vivo, serão montados aquários para o efeito, e vai também ser construído um grelhador no exterior para que possa oferecer rodízios de marisco, com um preço fixo, uma vez por semana, ao jantar.
Os empregados desta casa são bastante simpáticos e eficientes e quem a visite tem sempre a oportunidade de conversar com o Rei do Funáná, Sr. Lino, que é um espectáculo de pessoa e que vos contará com certeza as suas venturas e desventuras.






Setembro 19, 2005

Sta Maria - Restaurantes

Existem em Sta. Maria apenas seis ou sete restaurantes com capacidade de resposta para a procura existente por parte dos visitantes. O facto de serem poucos faz com que haja mais concorrência entre eles o que se torna benéfico em termos de qualidade. Como exemplo, relato o facto de um proprietário me ter dito que fica bastante contente quando vê um estrangeiro por duas vezes no seu espaço, porque isso era sinal de que o seu serviço era bom.
Os preços das refeições (pode verificar na ementa em anexo) são, em todos eles, bastante caros e os mesmos não variam muito de casa para casa. Quase todos os restaurantes têm os preços afixados em escudos cabo-verdianos e seguidos do correspondente valor em euros, pois todos eles os aceitam como forma de pagamento. Um euro corresponde a 110,265 escudos cabo-verdianos mas normalmente eles fazem o arredondamento e só dão 100 escudos por cada um, pelo que aconselho a adquirirem escudos no banco e a efectuarem o pagamento com eles.
Apesar de nas ementas de todos eles existirem pratos de carne, eu aconselho vivamente os pratos de peixe pois o mesmo tem a garantia de ser fresco, facto já relatado no post referente ao pontão. A variedade de pratos de peixe não é grande, sendo o Atum (confeccionado de mil e uma maneiras tal como o nosso bacalhau), o Peixe-serra, o Dourado e as caldeiradas os predominantes. O marisco também existe em abundância sendo a lagosta e o camarão os que têm mais saída, apesar de não serem muito baratos. Em relação à lagosta é bom que os consumidores não se deixem enganar, porque há restaurantes que, em vez desta, servem algo muito parecido mas que dá pelo nome de craca e que é bastante mais seca. Aconselho também os pratos típicos da gastronomia cabo-verdiana, com destaque para a cachupa que é um género de feijoada mas muito mais condimentada. As sobremesas são muito pouco variadas mas no entanto há sempre a opção pelas frutas tropicais que são bastante saborosas.
Quanto às bebidas, a maioria é importada de Portugal por isso não é de estranhar encontrarem-se vinhos, cervejas e refrigerantes portugueses.
Nos próximos post’s irei falar de todos os restaurantes que frequentei realçando com mais detalhe os que, na minha opinião, oferecem a melhor relação qualidade/preço.

Setembro 18, 2005

Sta Maria - Night


Quem pensar em viajar para esta ilha à espera de encontrar uma grande vida nocturna, é melhor não o fazer pois isso é coisa que não existe. Exceptuando os bares e os espectáculos que são organizados pelos hotéis pouco mais existe em termos de diversão nocturna.
Existe na vila uma discoteca que é o “Pirata” e alguns bares aonde se pode beber um copo e ouvir um pouco de música. Nalguns desses bares e nalguns restaurantes (falarei deles noutro post) podemos também ouvir as célebres mornas, coladeras e funáná cantadas por grupos e bandas de naturais da ilha.
As imagens que aqui coloco são referentes aos locais que mais frequentei e que se adaptam mais às minhas preferências. São eles: O bar “TAM-TAM” e o “SHARK ZONE” ambos propriedade de Italianos radicados na ilha, a discoteca “PIRATA” e um bar do qual não sei o nome mas que, além de música ao vivo tem também Internet ao dispor dos clientes a partir das 21 horas.





"Shark Zone"





"Bar Internet"

Setembro 16, 2005

Sta Maria - Serviços

Infantário Mercado Municipal
Centro de Saúde - Urgências
Jardim Infantil (Nunca vi utilização - Não tem uma única sombra)
Casa inaugurada pelo Presidente Portugês Craveiro Lopes em 18 de Maio de 1955 Correios
Igreja
Cinema
Fontanário Público
Esquadra da Polícia
Banco Comercial (Não cobra taxas de Câmbio)
Caixa Agricula (Cobra taxas de Câmbio)

Setembro 15, 2005

Sta Maria - O Contraste











Setembro 13, 2005

Sta Maria - A Vila








Depois de ter falado das praias e do pontão, chegou a altura de falar da vila em geral. A vila de Sta Maria é uma vila pequena, ligeiramente parecida com as nossas vilas piscatórias, e pode ser dividida em três partes completamente distintas. A primeira tem a ver com a parte vocacionada para o turismo, ou seja, os hotéis e alguns conjuntos de apartamentos bastante modernos e com condições de habitabilidade bastante boas, podendo mesmo ser comparadas às melhores zonas turísticas das nossas urbes. Neste grupo pode-se também incluir as casas e vivendas dos italianos que residem na vila e que são proprietários da maioria das lojas, bares e restaurantes da mesma. Refiro como curiosidade o facto de alguns naturais os identificarem como os novos colonizadores.
A segunda parte está relacionada com as casas dos imigrantes que apesar de serem naturais da ilha, procuram outras paragens (a maioria na Holanda) para aí amealharem uns cobres e depois reconstruirem as suas casitas (a maioria foi deixada pelos Portugueses quando da descolonização). Neste grupo estão também incluidos os proprietários de alguns mini-mercados, bares e restaurantes da vila.
Por último está o grupo das habitações dos naturais que nunca conheceram outras paragens e que, dada a escassez de empregos, vivem dos poucos e mal remunerados trabalhos que conseguem arranjar (uma infíma parte na hotelaria e construção). A maioria das habitações deste último grupo não têm electricidade, água canalizada, esgotos ou saneamento e são dadas como construidas assim que têm telhado, portas e janelas, sendo rara a casa que se encontre pintada e com os respectivos acabamentos. A água que utilizam é recolhida por eles diáriamente num fontanário existente para o efeito. Os arruamentos dessas áreas de habitação são em terra batida e as águas residuais escorrem a céu aberto originando maus cheiros e a proliferação de insectos e outra bicharada.
Além destes promenores, na vila existem também dois bancos, um cinema, correios, escola, igreja, esquadra de polícia, parque infantil, um posto de saúde que serve de hospital e muitas lojas de artesanato.
Neste e nos próximos post's vou deixar-vos algumas imagens da vila para que possam ficar melhor identificados com ela.

Setembro 12, 2005

Sta Maria - Pontão lll

Pesca à cana
Venda de côcos


Mergulho do mastro

Mergulho do pontão
Subida para o pontão


Preparação do peixe

Setembro 11, 2005

Sta Maria - Pontão II

Pesca - Tubarão Tigre



Pesca - Atum

Setembro 09, 2005

Sta. Maria - Pontão Parte 1
































Quem esteja de férias em Sta. Maria tem que fazer obrigatoriamente uma visita ao pontão com o mesmo nome. È daqui que partem todas as noites e regressam durante as manhãs, os barcos dos pescadores que abastecem de peixe a população e os restaurantes de Sta. Maria. A azáfama da chegada destes barcos e a preparação do peixe que é imediatamente feita no pontão, é um espectáculo digno de ser visto. A maioria do pescado consiste em Atum, Peixe – Serra, Dourado (peixe de grandes proporções que nada tem a ver com as nossas conhecidas douradas) e ocasionalmente Tubarão. Este pontão é também utilizado para as partidas e chegadas dos barcos que efectuam os passeios marítimos e também dos que transportam os turistas que se dispõem a praticar mergulho. Os praticantes de pesca desportiva também o utilizam para as suas pescarias, que são sempre bastante fartas devido à quantidade de peixe existente. Estes pescadores contam sempre com a ajuda das crianças que ali passam o dia, pois elas, sem que lhes seja pedido, prontificam-se sempre a retirar os peixes dos anzóis, a recolocar o isco e a tratarem imediatamente da preparação dos referidos peixes. Como é óbvio e dado que os turistas normalmente não confeccionam refeições, esse peixe acaba por ser dado a esses colaboradores espontâneos.
Muitos habitantes da ilha e alguns turistas, nos quais me incluo, também se servem do pontão para uns belos mergulhos nas águas quentes e cristalinas que o rodeiam.
Quero referir também que o pontão se encontra bastante danificado, com muitas tábuas partidas, muitos buracos entre elas e com um grande declive à sua entrada pelo que recomendo muita precaução a quem pense em visitá-lo. Por toda a ilha são visíveis cartazes que apelam às autoridades competentes no sentido de procederem à sua recuperação o que acho que deveria ser feito com urgência sob o risco de poder vir a causar algum acidente grave.
Os meus próximos dois post’s serão ainda referentes ao pontão e neles irei colocar apenas fotografias, porque acho que uma boa imagem vale mais do que mil palavras.

Setembro 07, 2005

Sta. Maria - Praias

Sta. Maria é a vila turística por excelência e por isso não é de admirar que as suas praias sejam as melhores da Ilha do Sal. Um extenso areal com areias douradas e um mar de cor esverdeada compõe o topo sul de Sta. Maria. Esse areal só é interrompido por um hotel, com o nome de “ojo d’água”, cuja construção o invade por completo e existe também um pontão (falarei dele noutro post) que no fundo faz uma divisão entre as praias frontais aos principais hotéis e por estes concessionadas e as restantes. As praias situadas a poente do referido hotel são as mais frequentadas e aquelas em que a areia se apresenta mais limpa e em que se nota mais cuidados de manutenção. As águas, além de esverdeadas, têm também uma transparência fora do normal e uma temperatura a rondar os 25º C o que por si só, principalmente para os amantes de praia, é motivo suficiente para a deslocação a estas paragens. Todos estes factores e o facto da ilha ser um pouco ventosa criam as condições ideais para todos os que apreciam os desportos aquáticos nomeadamente a vela, o windsurf a pesca e o mergulho. Programas para estas actividades e para passeios de mar (para ver os golfinhos e a desova das tartarugas) estão disponíveis, apesar de caros, em vários operadores turísticos que existem na ilha.
Ao contrário do que estamos habituados há sempre muito pouca gente na praia o que nos dá liberdade para a podermos aproveitar da maneira que entendemos sem sermos incomodados. Quem está na praia vai certamente ser assediado por vendedores de artesanato e por mulheres cabo-verdianas dispostas a fazer trancinhas às turistas a troco de um euro por cada uma. Esse assédio é menor nas praias em frente aos hotéis pois essas são constantemente vigiadas por um polícia, que se desloca numa moto – quatro, e que não permite que os estrangeiros (turistas) sejam incomodados. Estas praias são, talvez pelo mesmo motivo, muito pouco frequentadas pelos habitantes da ilha que se concentram mais na praia situada a nascente do pontão.
















Setembro 06, 2005

As Estradas e Ruas da Ilha

Quem sai do aeroporto de carro encontra a cerca de 200m a estrada que liga Espargos a Sta. Maria. Espargos fica do lado esquerdo (5minutos) e Sta. Maria do lado direito (20 minutos). Esta estrada é uma via rápida, tem algumas rotundas, é a melhor da ilha e uma das três que são alcatroadas. As outras duas são as que ligam Espargos a Palmeira e Espargos a Pedra de Lume. As restantes, com excepção da que liga Ponte Preta a Sta. Maria que é em calçada portuguesa, são todas de terra batida e intransitáveis a veículos ligeiros devido aos buracos existentes.
As ruas principais no interior das vilas são todas em calçada e em Espargos e Palmeira só a rua central é que é asfaltada. Todas as outras ruas e artérias são em terra batida.

Estrada de Ponte Preta

Estrada Espargos/Sta Maria

Estrada de Calheta Funda

Rua de Sta Maria - terra
Rua de Sta Maria - calçada

Setembro 04, 2005

Aeroporto Internacional Amílcar Cabral

Aeroporto - Vista exterior
Estátua de Amilcar Cabral Aeroporto - Vista da pista
Depois da apresentação de Cabo Verde e da Ilha do Sal, chegou o momento de começar a desenvolver o objectivo deste blog.

Para começar, vou "falar" do Aeroporto Internacional Amílcar Cabral

Este aeroporto, que fica situado a cerca de 5 minutos da vila de Espargos (capital) e a cerca de 20 minutos de Sta. Maria, e o porto de mar da vila de Palmeira são os pontos de entrada no arquipélago. Além dos voos internacionais, este aeroporto é também utilizado para todos os voos entre as ilhas Cabo-verdianas.
Em termos de infra-estruturas o aeroporto é bastante funcional, parece ser relativamente moderno e o tamanho da pista é suficiente para que não haja grandes riscos de acidente, quer na aterragem quer no levantamento dos aviões.
Em termos de serviços, o facto de haver apenas duas portas de controlo, uma para os naturais da ilha e outra para os estrangeiros, faz com que o desembarque se torne muito demorado. Os funcionários que se encontravam de serviço nesses pontos de controlo, quando da minha chegada, também se revelaram muito pouco simpáticos mas no entanto, como a hora já ia adiantada, deixo-lhes o benefício da dúvida.
Outro ponto que achei negativo tem a ver com a sala de embarque e deve-se ao facto de ser muito pequena para a quantidade de pessoas que aí aguardam cerca de três horas para entrarem no avião, havendo mesmo muita gente sem uma cadeira para se sentar.

* Nas imagens, que podem ser ampliadas, pode-se ver uma vista exterior, uma vista nocturna do interior e a estátua do Amílcar Cabral que está situada à saída das instalações do aeroporto.

Setembro 01, 2005

Ilha do Sal

Este mapa foi-me dado por um funcionário de uma agência de aluguer de automóveis e nele estão representados, através de pequenas fotografias, os pontos de maior interesse da ilha e que merecem ser visitados. São eles:
Ao fundo do mapa e numa foto pouco visível está Sta Maria que é a zona turística por excelência e é aonde estão instalados os melhores hotéis da ilha. É também em Sta. Maria que existem as melhores e mais bonitas praias.
As fotos do centro representam o aeroporto e, sobre ele, a vila de Espargos que é a capital da Ilha do Sal.
Na mesma linha mas do lado direito, ficam as salinas de Pedra de Lume.
No lado oposto fica a vila de Palmeira que tem um porto de mar e uma baía aonde estão ancorados alguns dos barcos de recreio existentes e que na maioria dos casos são propriedade de Italianos radicados na ilha.
Por cima de Palmeira fica a Buracona que, no fundo, é um buraco que se encontra na rocha e do qual se vê o mar. Existe também na Buracona uma piscina natural.
Entre a Vila de Palmeira e a Buracona encontra-se a Regona, que não está sinalizada no mapa, mas que é uma entrada do mar através de um rego natural escavado nas rochas e tem uma beleza fora do normal.
Ao longo deste blog irei mostrar mais fotografias e também escrever promenorizadamente sobre todos estes locais e sobre outros que existem na ilha.

Agosto 31, 2005

Cabo Verde


A República de Cabo Verde é um arquipélago localizado junto à Costa da África Ocidental, entre as latitudes 14º 23’ e 17º 12’ Norte e as longitudes 22º 40’ e 25º 22’ Oeste.

O arquipélago de Cabo Verde é formado por dez ilhas e oito ilhéus, que formam dois grupos distintos consoante a posição face ao vento alíseo do Nordeste. Assim, temos o Barlavento, que reúne as ilhas de Santo Antão (754 Km2), São Vicente (228 Km2), Santa Luzia (34 Km2), São Nicolau (342 Km2), Sal (215 Km2), Boa Vista (622 Km2) e os ilhéus Raso e Branco; e o Sotavento constituído pelas ilhas do Maio (267 km2), São Tiago (992 km2), Fogo (477 km2), Brava (65 km2) e os ilhéus Secos ou de Rombo.

A maior parte das ilhas é de origem vulcânica, de relevo acidentado, com pontos de maior altitude na Ilha do Fogo (no Pico, um vulcão em actividade com 2 829 metros), em Santo Antão (no topo da coroa, com 1 979 metros) e em São Tiago (Pico de Antónia e Serra Malagueta com altitude máxima de 1 373 metros). As ilhas do Sal, Boa Vista e Maio são planas e circundadas por extensas praias.

Cabo Verde situa-se na extremidade ocidental da faixa do Sahel e o clima tem características de aridez e semi-aridez. A temperatura média anual varia entre 22ºC e 26ºC. O clima é quente e seco, com muito pouca chuva. A época das chuvas é muito curta e decorre de Agosto a Outubro, dependendo da frente inter-tropical, quente e húmida, que à sua passagem dá origem a fortes chuvadas de curta duração, que podem causar grandes inundações, oscilando a precipitação anual entre 250 e 500 mm. Pela sua posição geográfica, as ilhas do Barlavento são mais beneficiadas pelas chuvas do que as do Sotavento. A irregularidade da pluviosidade anual é também condicionada pela passagem do harmatão ou "lestada", vento quente e seco vindo do deserto do Sara, que aumenta a aridez da estação seca, sobretudo nas regiões mais expostas, a leste, e nas ilhas orientais, provocando secas prolongadas, de consequências nefastas para as culturas e para o equilíbrio ecológico.

Agosto 30, 2005

Ilha do Sal - Vista Aérea


online
Nome: Jorge Alves
Localização: Qta do Rouxinol, Corroios, Portugal
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      ILHA DO SAL

      A Ilha do Sal conta com 216 km2 de superfí­cie, tendo uma longitude máxima de 30 Km na direcção Norte/Sul e uma largura que não excede os 12 Km na direcção Este/Oeste. Embora de origem vulcânica, divide-se em dois grupos distintos em termos de topografia: as zonas planas caracterizam-se pelas extensas praias de areias finas e as montanhosas por vales profundos que ocorrem entre as elevações rochosas.

      Na Ilha do Sal o tempo é quente. Muito quente! O clima, tropical é seco, conta com a presença dos ventos provenientes do deserto do Saara. As chuvas são raras e muito irregulares, sendo por vezes nulas durante um ano. A proximidade entre o Sal e África faz com que esta ilha tenha temperaturas elevadas todas as estações e com que seja pouca a diferença entre as temperaturas diurnas e as nocturnas. Também o mar faz sonhar com as suas águas mornas e tépidas, que convidam aos tão ansiados mergulhos no paraíso.

      As paisagens maravilhosas, o sol radioso, o clima quente e as dunas mais bonitas fazem do Sal um lugar de sonho para os amantes de um bom dia de praia. Quer vá para o norte, quer vá para o sul, encontra na Ilha do Sal recantos de uma excelência deslumbrante, ou não estivessemos a falar de África.

      HISTÓRIA

      A maior parte dos historiadores reconhecem Diogo Gomes como o verdadeiro descobridor, e António da Noli como o descobridor oficial, ambos em 1460. Mas não se exclui a hipótese das ilhas do arquipélago Cabo Verdiano terem sido visitadas por outros povos, muito antes da chegada dos portugueses, como por exemplo os gregos, árabes ou africanos.

      Originalmente, a ilha foi baptizada com o nome de "Plana", mas apenas alguns anos mais tarde, após o início da exploração de sal em Pedra de Lume, o nome foi mudado para "Sal". Devido à  falta de água e aridez do solo, a ilha permaneceu deserta até ao século XIX. Quem primeiro se estabeleceu naquelas terras foram os escravos das vizinhas Ilhas de Boavista e de São Nicolau, em 1838. Bens manufacturados eram trocados por sal, que saíam da ilha através dos navios.

      No final do século XVIII, um geógrafo holandês escreveu que viu uma colonização de 72 marinheiros no local em que é hoje a Vila de Santa Maria, sustentada pela extracção de sal, usado para salgar a carne de cabra e tartaruga, um animal então muito comum no arquipélago. Historicamente, até aos século XX as autoridades coloniais prestaram pouca atenção a esta ilha, e a sobrevivência de uma família dependia somente da sorte e capacidade de lidar com sucesso perante as situações que surgiam cada novo dia.


      Em 1939 cria-se a primeira base aérea comercial, o que veio a ser o alicerce para o actual aeroporto, cuja posição privilegiada fez com que se tornasse, depois da Segunda Guerra Mundial, um importante cruzamento para as escalas das viagens internacionais. Hoje, o Aeroporto Amílcar Cabral, na Ilha do Sal, conta com uma das maiores pistas do mundo e tornou-se um importante centro estratégico a ní­vel mundial.

      GEOGRAFIA

      É a 450 km da costa ocidental africana que está situada a República de Cabo Verde, entre as latitudes 14º23' e 17º12' Norte e longitudes 22º40' Oeste.
      O arquipélago conta com 10 ilhas: Santo Antão, S. Vicente, Santa Luzia (Desabitada), São Nicolau, Sal, Boavista, Maio, Santiago (onde está situada a capital, Cidade da Praia), Fogo e Brava, que contam com uma superfície total de 4.033 Km2.

      A Ilha do Sal conta com 216 km2 de superfície, tendo uma longitude máxima de 30 Km na direcção Norte/Sul e uma largura que não excede os 12 Km na direcção Este/Oeste. Embora de origem vulcânica, divide-se em dois grupos distintos em termos de topografia: as zonas planas caracterizam-se pelas extensas praias de areias finas e as montanhosas por vales profundos que ocorrem entre as elevações rochosas.
      Maioritariamente plana, o ponto mais elevado situa-se na parte Norte: o Monte Grande, a 406 metros de altura. Com um litoral rochoso, é muito árida e frequentemente visitada pelo vento quente que sopra do Saara.

      O POVO

      Cabo Verde conta com cerca de 450.000 residentes. Na Ilha do Sal vivem dezasseis mil habitantes, a grande maioria (70%) concentrada na zona de Espargos. A maioria são jovens com menos de 35 anos vindos das diversas ilhas atraí­dos pelas oportunidades de emprego criadas pelo turismo. (80% da população é mestiça, 17% negra e 3% branca).

      A sua mestiçagem é resultado da emigração europeia para o arquipélago africano. Os brancos que ali se instalavam eram essencialmente solteiros e das suas uniões com os nativos e escravos viriam a nascer crianças mulatas que, com o tempo, fizeram desaparecer os brancos. A maioria desta população negra é oriunda de países como a Guiné e o Senegal, e devem ter chegado à  Ilha por volta do século XV.

      A língua mais comum, já se sabe, é o crioulo, e o português, língua oficial, é falado apenas por metade da população. Quanto à  religião, católica, o cabo-verdiano é muito crente e praticante, e raramente falta à  missa ao domingo. Outra característica deste povo é o seu gosto pela música e pela dança, que ocupam um papel de extrema importância naquela sociedade. A morna, a coladeira, o funaná são alguns tipos de ritmos tí­picos de Cabo Verde, que fazem das danças com pares um contacto do corpo com corpo e da face com a face que surpreende quem está menos habituado a estes ritmos dos paí­ses quentes.

      Com uma personalidade meiga, um sorriso atencioso e uma boa vontade agradável na relação com o turista, o povo cabo-verdiano é muito acolhedor, e irradia uma simpática simplicidade no seu modo de viver, que fascina quem por lá passa deixando sempre saudades.

      CLIMA

      Na Ilha do Sal o tempo é quente. Muito quente! O clima, tropical e seco, conta com a presença dos ventos provenientes do deserto do Saara. As chuvas são raras e muito irregulares, sendo por vezes nulas durante um ano.

      A proximidade entre o Sal e África faz com que esta ilha tenha temperaturas elevadas todas as estações, e com que seja pouca a diferença entre as temperaturas diurnas e as nocturnas. Também o mar faz sonhar com as suas águas mornas e tépidas, que convidam aos tão ansiados mergulhos no paraíso.

      Assim, quer escolha o Verão ou o Inverno para visitar a Ilha do Sal, pode sempre esperar encontrar bom tempo, onde uma brisa quente embala o corpo ao sabor de um clima tropical.

      AS PRAIAS

      As paisagens maravilhosas, o sol radioso, o clima quente e as dunas mais bonitas fazem do Sal um lugar de sonho para os amantes de um bom dia de praia.

      Na zona de João Quintinha, multiplica-se um conjunto de pequenas praias, sem qualquer vegetação. As grutas que a rodeiam são o lugar ideal para descansar à sombra depois de uns mergulhos no mar.

      Outro lugar óptimo para banhos é a Calheta Funda, onde muitas crianças aprendem a nadar. É um paraíso na terra, com águas calmas e uma beleza natural propícia ao conví­vio familiar.

      Após os aperitivos, vamos ao prato principal: a praia de Santa Maria, com oito quilómetros de extensão, um mar azul turquesa e águas límpidas e mornas, sem qualquer tipo de poluição.

      A Baía da Algodoeira também fascina pela sua beleza, e assemelha-se a um oásis, onde as franjas das palmeiras salpicadas proporcionam uma refrescante sombra. Parecida é a Fontona, o lugar preferido pelos românticos. Com uma vegetação abundante, a praia apresenta uma mistura de cascalho e areia, que lhe dá um tom muito particular, e é o ideal para um bom banho.

      Quer vá para o norte, quer vá para o sul, encontra na Ilha do Sal recantos de uma excelência deslumbrante, ou não estivéssemos a falar de África...

      MUSICA E CULTURA

      A ilha do Sal não é rica em manifestações culturais, mas é o local onde a vertente musical atinge um expoente máximo. A morna, a coladeira, o funaná são alguns tipos de ritmos típicos de Cabo Verde, que se podem ouvir nas festas populares e tradicionais. O Festival da praia de Santa Maria, por exemplo, é realizado todos os meses de Setembro, e nele participam muitos artistas nacionais e estrangeiros.

      Entre os ritos e cerimónias, muito significativos, assinala-se especialmente o baptismo civil (costume muito antigo, feito simplesmente por um adulto em casa de uma criança) e a Ladainha, cerimónia constituída por cantos litúrgicos, em agradecimento a um Santo por ter realizado um desejo).

      A noite também é muito animada, nos bares e esplanadas locais, e é comum um grupo de amigos fazer uma serenata, espontaneamente, à luz do luar. Para aquecer a garganta, não faltarão concerteza as bebidas Morninha e Groguinho, típicas desta região.

      A dança assume igualmente um papel fundamental, com uma forte tradição na ilha. Normalmente é a pares, podendo o calorento contacto corpo a corpo por vezes chocar o Europeu.

      GASTRONOMIA

      A cozinha cabo-verdiana foi muito influenciada pela cozinha portuguesa. Mantém-se a tradição da sopa, do pão com manteiga antes das refeições e da preferência por pratos familiares como o bacalhau ou arroz de marisco.

      Mas a cozinha crioula tem gostos e sabores particulares, que não deixam indiferente quem por lá passa. Um dos cozinhados mais tradicionais é a Cachupa ( ver receita no link "gastronomia"), à base de milho, feijão, carne, frango, chourição e legumes. Os cuscus são outro dos sabores mais típicos africanos, e foram introduzidos em cabo verde pelos escravos. Preparam-se à base de farinha de milho, canela e açucar.

      Quantos aos peixes e mariscos, o preferido e mais abundante é a lagosta, seguida do atum e da garoupa. Nas carnes, as mais apreciadas são o porco, a vaca e a galinha, normalmente acompanhadas por arroz ou batata. Para os amantes dos frutos do mar, preparem-se para se deliciar com as lulas, búzios, percebes e cracas, muito gostosos nesta região.

      Como pratos típicos, também se pode provar a caldeirada, à base de peixe estufado com mandioca, couve e banana verde, e uma suada de lagosta ou caranguejo.

      Para terminar a refeição, depois de um tí­pico Pudim de leite, nada melhor do que um café, que tem a fama de ser o melhor a seguir ao de Timor, e um grogue, uma espécie de aguardente muito famosa na região. 

      ENTRETENIMENTO

      A Ilha do Sal é a porta de entrada e saída de Cabo Verde, sendo fácil encontrar ali todas as espécies de artesanato produzidas nas outras ilhas do arquipélago. Como recordação, pode trazer objectos trabalhados em madeira, ou quadros de pintura de areia, muito coloridos e agradáveis que retratam motivos da ilha. Também é frequente encontrar mulheres nativas da ilha dispostas a cobrir-lhe a cabeça com tranças fininhas que terminam em missangas, tí­picas de Cabo Verde, por um preço regateável e sempre barato.

      A Lagosta, o Grogue (bebida nacional de aguardente de cana), o Ponche e os CDs de música nacional (mornas, coladeiras, funaná, mazaruca, batuko e contradança) são os produtos mais procurados pelos turistas.

      Horários do Comércio: Está tudo fechado aos Domingos e feriados. Durante a semana, o horário é das 08h30-12h30 e 14h30-18h30. Ao Sábado é das 08h30 e as 13h.

      Para se entreter à noite, a variadade de barzinhos, discotecas e restaurantes com música ao vivo é abundante. A maioria dos hotéis conta com actuações ao vivo durante e após o jantar e há restaurantes na Ilha que não pode perder: O Funaná, na praia de Santa Maria, é um deles. Ao Sábado servem um rodízio de comidas tí­picas cabo verdianas, acompanhadas por um grupo de música ao vivo, que deixam com água na boca quem por lá passa, assim como a famosa caipirinha de Maracujá, que é uma bebida deliciosa. Também no centro de Santa Maria há uma imensa variedade de opções para jantar e dançar: Os restaurante Américos, Mateus, Kultural, Casa Amarela e Odjos D'água são boas escolhas.

      DESPORTOS AQUÁTICOS

      A Ilha é um paraíso para os amantes de desportos aquáticos. Em oposição a um dos lados da ilha, que é abrigado do vento, há outro lado em que, dizem, sopra na perfeição. Ali, é frequente ver grupos de windsurfistas e praticantes de Kite- Surf, vela ou jet-ski.

      Na ilha também se podem alugar motas de água, barcos, fazer mergulho ou snorkeling e pescar.

      EXCURSÕES

      Para além da possibilidade de excursões às ilhas vizinhas (a Ilha da Boavista também é muito apreciada pelos turistas), percorrer a Ilha do Sal pode tornar-se uma verdadeira aventura, dado as suas caracterí­sticas áridas que por vezes nos lembram o deserto.

      É frequente, nestes passeios, passar pela experiência de ter uma miragem, vendo um verdadeiro oásis com água, que não passa de pura ilusão óptica. É fascinante!!!!

      Entre os passeios mais típicos, temos a visita à Buracona, onde pode tomar banho numa deliciosa piscina natural, os passeios de Jipe Todo o Terreno, Buggys ou de Moto 4 parando nas mais belas praias e uma ida á Fontona, passando pelo ponto da ilha em que se podem ver ambas as costas. Uma visita ás Salinas da Pedra Do Lume , onde pode tomar verdadeiros banhos de sal, muito benéficos para a saúde , seguidos de um almoço no restaurante ca da mosto, é também imperdível. 

      DICAS PARA O VIAJANTE

      Embora haja serviço de autocarros, utilizado pelos locais, a melhor maneira de conhecer o sal é alugar um jipe. Pode fazê-lo logo no aeroporto ou no seu hotel. Conduz-se pela direita e é necessário mostrar a sua carta de condução internacional.

      DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA

      É necessário o passaporte e um Visto para entrar em Cabo Verde. O visto pode ser tratado com a Embaixada de Cabo Verde, em Lisboa, e não precisa de ser pela própria pessoa.

      Embaixada de Cabo Verde
      Avenida do Restelo, 33
      1400 - Lisboa
      Tel.: 213019521/2/3
      Fax: 213015308

      CUIDADOS DE SAÚDE

      Não há cuidados especais de saúde a ter na Ilha nem é exigida nenhuma vacina para visitar Cabo Verde. Em Cabo Verde não existem, doenças endémicas ou tropicais, e as condições de higiene são boas. Aconselhamos, no entanto, que beba apenas água engarrafada, a fruta descascada e o leite fervido. Já agora, evite as bebidas com gelo. A Ilha dispõe de Centros de Saúde e farmácias.  

      MOEDA

      A moeda em Cabo Verde é o Escudo Cabo-verdiano (CVE) - Um euro = 100,265 CVE   

      Aconselha-se a efectuar o cãmbio nos Bancos Locais, BCA ou Banco Comercial do Atlântico ou CECV Caixa Económica de Cabo Verde, no Aeroporto, em Espargos ou na Vila de Santa Maria. Ao balcão destes Bancos poderá também obter moeda local através do seu cartão VISA. Os Bancos estão abertos de Segunda a Sexta entre as 08h e as 15h.

      Em Santa Maria, centro turí­stico do Sal, há um banco que lhe pode trocar o dinheiro ou Travellers Cheques. Alguns hotéis também trocam Euros e Dólares por escudos cabo-verdianos. No comércio, pode sempre pagar com Euros e receber o troco em escudos cabo-verdianos.  

       

       

       

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